O MUSEO DO AMANHÃ

Há poucos meses, tive a felicidade de voltar à Cidade Maravilhosa, e conhecer o Museu do Amanhã. Não poderia deixar de registrar aqui sobre o quanto vale a pena visitar este magnífico local, projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, localizado na zona portuária do Rio de Janeiro.

Inaugurado em 2015, o museu de artes e ciências conta com mostras que provocam os visitantes a refletir sobre a degradação ambiental e colapso social que estamos vivenciando. Resumo contando que fui a última pessoa a sair do local naquele dia. Teria ficado mais horas por lá. Com exposições mais focadas em ideias e menos em objetos, expõe mudanças, perguntas e a exploração de possibilidades futuras para a humanidade.

O que mais me chamou a atenção por lá..?

Começo pela escultura Puffed Star II (fundo desta foto), do renomado artista norte-americano Frank Stella. O trabalho consiste em estrela de vinte pontas e seis metros de diâmetro que foi instalado no espelho d’água do museu, em frente à Baía de Guanabara. A escultura metálica, antes da doação para acervo permanente a céu aberto do museu, esteve em exposição na cidade de Nova York.

Logo na entrada, nos deparamos com um globo suspenso – reproduzindo um mapa-mundi. O mesmo que conduz cada um de nós visitantes, à uma viagem da criação do universo ao futuro.  A primeira parte desta viagem chama-se COSMOS – e nela, somos instigados a questionar-nos sobre de onde viemos. Após entrar em um domo negro onde “vivenciamos” a criação do mundo em um vídeo 360º, somos apresentados à segunda parte da viagem – chamada TERRA. Nela, encontram-se três cubos representantes de pilares primordiais ao planeta: Matéria, Vida e Pensamento.

O primeiro deles, apresenta do lado de fora 400 fotografias da Terra vistas do espaço. Dentro dele, a obra que elegi minha favorita: 4 Oceanos – Dois tecidos que ondulam em vértice, simbolizando os quatro fluxos que movem o planeta: o solo, os mares, o ar e a luz. Esta última foto, de autor desconhecido (a minha não havia ficado tão boa).

O 2º deles, apresenta o ecossistema. Uma expedição audivisual registrou a natureza do entorno do museu – e lembra-nos também de que cada um de nós, é um sistema único. Já o 3º Cubo (Cubo do Pensamento), nos traz uma visão matricial do homem – um labirinto de imagens apresenta nossas incríveis peculiaridades e semelhanças.

A terceira parte da viagem chama-se ANTROPOCENO, e busca responder “Onde Estamos”. Parecido com o Impacta o Mundo, traz dados científicos que visam informar e chamar a atenção para o quanto nosso estilo de vida, modelos de produção e consumo são incompatíveis com a capacidade que a Terra tem em se regenerar. Tal como o @impactaomundo, acaba por inspirar uma mudança de comportamento. A quarta parte da viagem, chama-se AMANHÃ e pergunta “Para onde vamos”? Nesta etapa, descobri que se todos os habitantes da Terra tivessem os mesmos hábitos de consumo que os visitantes do museu, precisaríamos de 3,38 planetas por ano. Medi minha pegada ecológica pela primeira vez e fiquei feliz de que eu só estou precisando de 0,79 no momento..

Na quinta e última parte do museu – que se chama NÓS (e questiona “Como Queremos Ir”) – nós visitantes somos conduzidos à uma estrutura de 9 metros de altura muito similar à uma oca – espaço convidativo à meditação. No centro, um objeto chamado Churinga – o único objeto exposto dentro do museu (foto Beth Santos). Ferramenta de origem aborígene – utilizado por habitantes da Oceania. O objeto era usado pelas tribos, para supostamente guardar a alma de seus integrantes até que encontra-se um novo corpo para renascer. Algo similar ao que o museu se propõe: promover a conexão entre o passado e o futuro / em forma de evolução.

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